NO PORTO...
Volto ao começo
carregado de memória
como se de novo nascesse
sabendo o que sei
Vou avançar pelo regresso
em direcção a outro universo
no espaço que almejo
e puro em princípio sonhei
Parto em busca do que enlevo
cego, surdo, mudo, insensível
ao que não quero
nem nunca desejei
Agora e ignorando
que entretanto fui passando
prazer e dor, amor e desamor
e assim feliz e infeliz perpassarei
Depois...
Depois talvez
enfim de vez no Porto
não tenha mais vontade de recomeçar
até não saber que acabei!...
António Torre da Guia
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